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"São só varizes" é uma frase que a Dra. Karyne ouve com frequência, e que ela mesma resume de outro jeito: o tratamento das varizes vai muito além da estética. As veias dilatadas que aparecem na perna são o sinal visível de uma alteração no funcionamento da circulação venosa, e essa alteração pode evoluir.
Este texto não é para assustar. É para ajudar você a reconhecer os sinais de que a circulação já está sofrendo, entender quais deles pedem avaliação com calma e quais pedem avaliação imediata.
Por que varizes vão além da estética
As veias das pernas levam o sangue de volta ao coração, contra a gravidade. Para isso, contam com válvulas que impedem o sangue de descer. Quando essas válvulas falham, o sangue reflui, a pressão dentro das veias aumenta e elas dilatam. Isso é a variz.
Com o tempo, essa pressão aumentada, chamada de hipertensão venosa, passa a afetar os tecidos ao redor: primeiro com sintomas, depois com alterações na pele e, nos casos mais avançados, com feridas. É uma progressão lenta, e é justamente por ser lenta que muita gente se acostuma com ela.
Os sinais de que a circulação está sofrendo
Nenhum destes sinais, isolado, fecha um diagnóstico. Juntos, e principalmente quando pioram ao longo dos meses, eles pedem avaliação.
1. Peso, cansaço e queimação
Sensação de pernas pesadas, ardência ou dor tipo queimação, que piora no fim do dia e depois de muito tempo em pé ou sentada, e melhora ao elevar as pernas.
2. Inchaço no tornozelo
Edema que aparece à tarde, principalmente ao redor do tornozelo, e some ou diminui pela manhã. Quando passa a ser constante, é um sinal de progressão.
3. Mudança na pele
Escurecimento acastanhado na parte de baixo da perna, pele endurecida, coceira ou eczema na região. Indica que a hipertensão venosa já está afetando a pele.
4. Feridas que não fecham
A úlcera venosa é a fase mais avançada: uma ferida, geralmente perto do tornozelo, que demora a cicatrizar ou reabre. Pede tratamento da causa, não só da ferida.
Há ainda sinais mais discretos: cãibras noturnas frequentes, formigamento e a sensação de "pernas inquietas" no fim do dia. Eles não são exclusivos das varizes, mas, quando aparecem junto com veias dilatadas, entram na avaliação.
Quando é urgente
Existem situações em que a avaliação não deve esperar a próxima vaga de rotina. Procure atendimento médico com rapidez se notar:
- Uma veia que ficou dura, quente, vermelha e dolorida de repente. Pode ser uma inflamação com trombo na veia superficial (tromboflebite), que exige avaliação.
- Inchaço súbito de uma perna só, com dor na panturrilha, principalmente depois de viagem longa, cirurgia ou imobilização. É um sinal possível de trombose venosa profunda, e deve ser avaliado no mesmo dia.
- Sangramento de uma variz, mesmo pequeno. Eleve a perna, comprima o local e procure atendimento.
- Ferida na perna que não fecha em algumas semanas, ou que reabre.
Veia dura e quente, perna inchada de repente e ferida que não fecha são urgência. Nesses casos, não espere a próxima vaga de rotina.
O que fazer
Para os sinais de progressão lenta, o caminho é a avaliação com um cirurgião vascular. Na consulta, o exame clínico e o ultrassom Doppler mostram se há refluxo, em quais veias e em que grau. A partir disso, o plano pode incluir desde medidas de controle, como meia de compressão e atividade física, até o tratamento da veia de origem com técnicas minimamente invasivas, como o endolaser.
Tratar cedo tem uma vantagem simples: a doença ainda não afetou a pele. Quanto mais avançado o quadro, mais o cuidado envolve também a recuperação dos tecidos. A Dra. Karyne tem experiência no tratamento de feridas complexas, como úlceras venosas, mas o melhor cenário é nunca chegar a elas. CONFIRMAR com a Dra.: se feridas complexas entram como serviço ou só como menção
Perguntas frequentes
Varizes podem causar trombose?
Meia de compressão trata varizes?
Se não dói, preciso tratar?
Varizes são hereditárias?
Fontes
- Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular. Varizes.
- Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular. Projeto Diretrizes: Insuficiência Venosa Crônica.
Cirurgiã vascular e endovascular em Aracaju, especialista em ecografia vascular e certificada em endolaser e laser transdérmico. Cada plano de tratamento nasce da avaliação clínica e do Doppler, não de uma lista pronta de procedimentos.


